Diario libertario de lugo e galaxia

Polícias à paisana tratam de intimidar com ameaças um jovem de 17 anos em Compostela

22/03/2014
14:45

Aconteceu nesta manhá sobre as 8:20 h. AM, quando o jovem M. S., de 17 anos, saía do portal da sua morada em direçom ao instituto onde estuda. Dous indivíduos à paisana com mais de 40 anos, que se negárom a identificar-se em todo momento, abordárom ao moço em espanhol perguntando-lhe “Olá, M., tes algum exame hoje?”. Seguindo um comportamento habitual noutros casos denunciados a este Organismo, um dos componhentes da parelha levou durante todo o tempo a voz cantante, com atitude prepotente, enquanto o outro mantinha um estrito silêncio e atitude de observaçom

Os dous individuos convidárom o jovem “para tomar um café” (sic). À pergunta por parte de M. de quem eram os que “convidavam”, respondérom dizendo que “Sabes davondo quem somos: "somos a tua consciência”, engadindo que “Nom te fagas o tonto, que és listo” e convidando a que “nom lhe fagas isto a tua mae” (?) sem explicarem em nengum momento o que era “isto”.

Ameaça de detençome incomunicaçom

A conversa produziu-se ao tempo que M. S. caminhava em direçom ao seu instituto sendo acompanhado em todo o momento polos dous indivíduos, dos quais um falava quase à orelha ao jovem. “Estamos aqui porque rompiche o Banco Santander, o Gallego e queimache a bandeira espanhola numha greve estudantil”, assegurárom, para logo referir-se a que a responsabilidade seria “do pringado esse de R., que vos come a cabeça”. Apesar da tentativa de M. S. de desembaraçar-se dos indivíduos acelerando o passo, ambos apurárom-se e mantivérom a pressom durante boa parte do caminho face o centro de estudos.

Tratando de transmitir a M. S. a existência dum control absoluto sobre a sua pessoa, comentárom-lhe que “ultimamente latas muito a aulas”. De facto, o jovem levava vários dias doente. Dada a negativa a entrar na conversa, o tom do diálogo foi-se fazendo a cada mais agressivo. “Se estou aqui -afirmou o que falava- é porque recebo ordens. Se fosse por mim já estavas nos calabouços”, dixo, delatando a sua condiçom de polícia. A continuaçom, procurando demonstrar um pleno domínio da situaçom, o indivíduo anunciou com tom intimidatório que “em 10 de abril já verás: vas passar 72 horas” [período máximo de detençom legal].

Fotos e despedida

Os dous adultos sem identificar mostrárom a M. a foto duns jovens, perguntando polos seus nomes. À resposta de “nom os conheço”, os indivíduos advertírom “a ver se che tenho que sacar algumha foto tua com eles”. A insistência na data de 10 de abril [aniversário e data em que M. S. alcança a maioria de idade] foi contínua durante a entrevista. Finalmente, ante a negativa do jovem a “entrar no jogo”, despedírom-se anunciando em tom ameaçante “vemo-nos de novo antes de 10 de abril”.

Amedrentar à mocidade

O caso acontecido hoje em Compostela enquadra-se numha sequência de intervençons policiais similares sucedidas em distintas comarcas do país que tenhem como alvo principal militantes jovens. Trata-se, em resumidas contas, de ameaçar, aterrorizar e paralisar o compromisso da gente nova com o país. As metodologias diversificam-se em funçom de perfis psicológicos, situaçons económicas e familiares, etc., mas o fio condutor é, em todos os casos, as ameaças, a injeçom de medo e pánico, a desmobilizaçom com estratégias próprias de regimes fascistas e, em muitas ocasions, a procura de confidentes e colaboradores.

De Ceivar, agradecemos a valentia e a coerência das dezenas de pessoas que, como sucede no caso de M. S., denunciárom publicamente nos últimos anos este tipo de encontros forçosos, rechaçando, em muitas ocasions, quando o que se procuram som confidentes, dinheiro, pagamento de alugueres, trabalhos na administraçom sem realizaçom de provas seletivas, etc. O relato que hoje nos fai chegar o jovem M. S: evidencia a qualidade da democracia espanhola, onde indivíduos adultos do mesmo Ministerio de Interior que mata a pelotaços africanos na colónia de Melilha tratam de aterrorizar jovens galegos e galegas que realizam estudos de bacharelato.

Alentamos à militáncia galega e, em particular à mocidade, que é o alvo prioritário deste tipo de práticas policiais, a faze-las públicas como a melhor fórmula para liberar-se definitivamente delas, tirar o manto de silêncio com o que se pretendem perpetrar e, também, evidenciar o tipo de regime político-policial existente no nosso país. A militáncia galega segue adiante.

 

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